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Por que a maioria dos carros usa disco de freio na frente e tambor atrás?

  • 17/04/2018
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freio-carro-1 Por que a maioria dos carros usa disco de freio na frente e tambor atrás?Os discos de freio nos carros é atualmente algo imprescindível para a segurança automotiva, mas apesar disso, muitos ainda utilizam os tambores de freio nas rodas traseiras. A questão é relativa aos custos e o tema já ganhou repercussão em alguns momentos da história automotiva, especialmente em anos recentes.

Atualmente, a produção em larga escala reduziu muito o custo de fabricação e instalação de discos de freio nos eixos traseiros dos carros, mas nem sempre foi assim. De qualquer forma, o custo de um freio a tambor continua sendo inferior e por isso ainda é utilizado em muitos carros, especialmente os modelos com versões de acesso bem baratas ou de desempenho inferior.

O item também é usado para valorizar o produto, pois quando é divulgado que “tal carro tem freios a disco nas quatro rodas”, a sensação de segurança é transmitida imediatamente para o cliente em potencial. Muitas vezes, o carro possui uma versão abaixo com performance semelhante, mas usa tambor apenas porque sua motorização e/ou versão é mais simples, sendo assim seu uso indiferente em relação à eficiência.Falando nela, os discos de freio são considerados mais eficientes na frenagem e isso está sendo comprovado até com o uso dos mesmos em veículos pesados, que anteriormente sempre utilizaram tambores para frenagem. Assim, o sistema permite menor distância de frenagem, redução do aquecimento e mais eficiência no uso de tecnologia antiderrapante e de controle de estabilidade ou tração. Mas, como tudo isso começou?freio-carro-1 Por que a maioria dos carros usa disco de freio na frente e tambor atrás?

Diferenças entre disco de freio e tambor

disco de freio, como o nome já diz, é um disco preso ao eixo na suspensão do veículo que tem por finalidade reduzir o espaço de frenagem, que obrigatoriamente tem de ser menor que no tambor. Uma pinça utiliza pastilhas para exercer fricção sobre a superfície do disco, reduzindo a inércia e parando o veículo. Seu acionamento pode ser feito de forma mecânica, hidráulica, pneumática ou eletromagnética. As duas pastilhas apertam o disco nesse processo.

Os freios a tambor utilizam câmara fechada com lonas de fricção empurradas contra a parede desse compartimento, que está girando. O movimento é feito de forma hidráulica ou mecânica, produzindo efeito semelhante ao disco. Porém, como a câmara é fechada, não há circulação de ar suficiente para reduzir a temperatura interna, por isso há um superaquecimento e a consequência perda de eficiência, produzindo assim a queima das lonas em casos mais graves. Além disso, se tiver contato com a água, o material de fricção em contato com o tambor perderá eficiência, aumentando enormemente a distância de frenagem.

O freio a tambor já existia quando o disco de frenagem surgiu em 1890, mas ele só ganhou a importância devida a partir de 1898, quando um carro elétrico utilizou o sistema com acionamento eletromagnético… Hoje, tal coisa seria considerada futurista, mas estamos falando do século 19!

Muito tempo depois, em 1948, é que a Crosley Corporation começou a fazer carros com discos de freio na frente. Porém, até esse sistema de popularizar, foram décadas ainda com o velho sistema a tambor na frente. No Brasil, muitos carros passaram a adotar esse sistema nos anos 70. De lá para cá, a evolução para um conjunto disco/disco demorou muito. Mas, nesta mesma época, um carro era feito dessa forma no Brasil, o Alfa Romeo 2300 Ti. Exceção à regra, ele ficou sozinho até morrer em meados dos anos 80.

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Como funcionam o disco e o tambor?

O disco de freio é mais eficiente, pois está em contato direto com o ar atmosférico e a produção de energia térmica por conta da fricção de pastilhas contra o disco é melhor dissipada, evitando o superaquecimento do material das pastilhas e do fluído de freio, que se entrar em ebulição, reduz a pressão exercida sobre a pinça, fazendo com que a área de frenagem aumente. Para isso, é necessário o uso de rodas bem ventiladas. Em carros de competição, se utiliza discos de carbono-cerâmica e pinças gigantescas para ampliar o poder de frenagem, mas não sem dutos exclusivos de refrigeração.

No caso do tambor, a vantagem deste é que ocupa menos espaço e é mais leve, dependendo do caso, mas também pelo maior poder de carga de frenagem, pois tem uma área de contato entre lonas e tambor bem maior. Isso é eficiente quando se trata de carregar muito peso, pois o freio a tambor suporta a pressão por mais tempo que o disco.

Por isso ele ainda é utilizado quase que obrigatoriamente em picapes focadas no serviço, caminhões, ônibus e reboques de carga. No sistema de freio de estacionamento, o tambor requer um sistema mais simples e, por isso, mais barato. No disco, o dispositivo é mais complexo e tem custo maior. É aquilo, quando mais complexo, maior é seu custo. O mesmo em relação ao freio de estacionamento eletrônico em comparação com o mecânico.

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Poder de frenagem do disco e do tambor

O disco é mais eficiente para reduzir o espaço de frenagem. Como já mencionado, o sistema amplia a segurança, mesmo que o disco seja apenas sólido, em comparação com o tambor. Por conta do maior peso e da carga deslocada na frenagem, as rodas dianteiras precisam do dispositivo, cuja manutenção também é mais em conta, pois é mais fácil de se mexer.

O poder de frenagem do freio a disco é bem superior. A distância para parar o veículo geralmente é quatro vezes maior quando se dobra a velocidade do veículo. Por exemplo, um carro que precisa de 30 m para parar de 80 km/h até 0 km/h, aumentará essa distância para 120 m dos 160 km/h até a imobilidade.

Por isso ele é usado na frente, mas atrás, carros pequenos e de proposta mais frugal, não usaram os freios com tanta intensidade. Devido a isso e também ao fato da versão ser mais simples, o tambor na traseira acaba sendo uma escolha óbvia. Estima-se que apenas 10% do tempo ele é usado em plena carga, diferente de carros maiores, como os modelos de porte médio, que os usam em 20% do tempo nessa condição.

Mas, há o tempo de resposta, que é muito maior no disco em relação ao tambor, por isso que versões e modelos com uma performance melhor são oferecidos apenas com discos de freio traseiros. A diferença pode chegar a 2 m de distância no caso de um carro compacto, por exemplo. Há alguns anos, a Hyundai lançou o Elantra com tambores de freio traseiros, o que gerou enormes críticas no Brasil. Praticamente era o único sedã médio oferecido assim. Como o custo é menor, o olho na margem teve preferência, enquanto a segurança ficou de lado.

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Custo dos dois sistemas

Mas o motivo aí foi o custo. A Hyundai e alguns outros fabricantes ainda se utilizam de tecnologias já em declínio para vender mais, com preços competitivos, obtendo assim uma margem melhor e ainda abocanhando várias fatias dos mercados onde atuam. Para um fabricante de automóveis, se o item é feito em larga escala, seu custo é muito menor e assim gera mais lucro. Quantos menos se gastar na hora da montagem, melhor a margem de lucro.

Então, qual o custo a mais ou a menos que estes sistemas de freio disco/tambor possuem sobre o disco/disco? Pegamos um Volkswagen Polo, não, não o da nova geração, mas o anterior, cuja oferta de peças é mais acessível. O conjunto de discos traseiros do modelo a partir de 2002 custa em torno de R$ 174,00 no mercado.

Na mesma loja e do mesmo fabricante, um jogo de tambores de freio do mesmo modelo é vendido por R$ 149,00. Ou seja, uma diferença de R$ 25,00. Pegando-se o velho hatch como exemplo, vamos dizer que de 100.000 vendidos ao longo do tempo, 70% saíram de São Bernardo do Campo com tambor. Levando-se em conta hipoteticamente que a diferença de custo para as versões com discos traseiros era de R$ 25,00, a economia para a VW seria de R$ 1,75 milhões. Então, se a diferença é pequena unitariamente, ela é enorme em larga escala.

 

FONTE: NOTICIAS AUTOMOTIVAS

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